Inovação Disruptiva: O que é e por que seu negócio precisa conhecê-la?

Por: Carol Kuviatkoski . Publicado em:03/07/2018

Negócio digital

Já percebeu como inovações são capazes de gerar transformações no mercado a ponto de desbancar empresas tradicionais e consolidadas? O WhatsApp fez isso com os serviços de SMS, o 99 está acabando com os táxis e o Nubank com os bancos. O que esses negócios têm em comum é a inovação disruptiva. Ou seja, a capacidade de criar valor através da simplicidade e velocidade possíveis pela tecnologia. Se você não quer que a sua empresa tradicional seja engolida por alternativas mais inovadoras, é preciso adaptar-se ao novo modelo.

O que é Inovação Disruptiva?

O termo inovação disruptiva foi cunhado por Clayton M. Christensen, professor de Administração na Harvard Business School. Christensen é mundialmente conhecido pelo seu estudo sobre inovação dentro de grandes empresas. A teoria se tornou popular entre os empreendedores do Vale do Silício e foi se popularizando nas áreas de marketing e publicidade.

Inovação disruptiva é a inovação em uma tecnologia, produto ou serviço com características disruptivas em vez de evolutivas. Ou seja, tal tipo de criação provoca uma ruptura com os padrões já estabelecidos no mercado. Trata-se de algo inédito, original e transformador. Ao contrário, as inovações evolutivas consistem somente em melhorias nos produtos que já existem, sem haver o desenvolvimento de algo novo.

As inovações desse tipo não são meras ideias criativas. Elas criam mercados e também demandas que as pessoas nem sabiam que possuíam. Um exemplo disso é o aplicativo WhatsApp. Antes dele as pessoas usavam os SMSs e ninguém havia sentido a necessidade de outra possibilidade para se comunicar. Porém, com a chegada do aplicativo, que é um serviço gratuito e eficaz, uma nova demanda surgiu e substituiu o modelo de negócio anterior. Os SMS se tornaram uma alternativa cara e obsoleta diante da inovação disruptiva.

Essas criações se opõem diretamente aos modelos tradicionais de negócios. As empresas clássicas e até mesmo as líderes de mercado normalmente têm estrutura hierárquica fixa, evitam riscos e investem em aumentar a qualidade e adicionar funções aos seus produtos já existentes. Enquanto isso, os empreendedores disruptivos criam soluções inovadoras e muita vezes mais simples e baratas. Assim, eles conseguem suprir a demanda de um público que antes não tinha condições para adquirir certos bens. No início, tal modelo atende consumidores menos exigentes e possui margens de lucros menores. Porém, com o tempo, torna-se uma alternativa eficiente e viável a vários clientes, gerando resultados exponenciais. É por isso que a ruptura cria um novo mercado e desestabiliza as empresas já estabelecidas.

O que são Organizações Exponenciais (ExOs)?

Fazer inovações disruptivas significa ter um modelo de negócio exponencial. As organizações exponenciais são aquelas que possuem um propósito transformador e geram mudanças nos produtos, serviços e no mercado como um todo. Além disso, elas possuem um elemento base: a tecnologia. A partir disso, o crescimento exponencial proporciona um aumento das receitas que é muito maior do que o aumento nas despesas. Resumindo, organização exponencial é sinônimo de inovação, tecnologia e alto crescimento no empreendedorismo.

Segundo Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest, autores do livro Organizações Exponenciais, tais empresas possuem certos atributos (fonte):

Escala (Externo)

  1. Equipe sob demanda: ao invés de possuir funcionários fixos, as ExOs usam mão de obra externa para realizar os trabalhos. Atualmente, isso é muito facilitado pela internet e é garantia de flexibilidade e agilidade nos processos.
  2. Comunidade e multidão: tais empresas cultivam uma rede de pessoas engajadas e entusiastas que contribuir para o crescimento do negócio. Estão inclusos colaboradores, ex-funcionários, clientes, fornecedores e “fãs”.
  3. Algoritmos: negócios disruptivos usam algoritmos para identificar as necessidades dos consumidores e identificar as tendências do mercado.
  4. Ativos alavancados: nesse modelo de negócio o empreendedor aluga, compartilha ou alavanca os recursos que tem disponível. Basicamente, são aplicados os princípios da Economia Compartilhada. Saiba mais neste artigo.
  5. Engajamento: as empresas exponenciais criam fortes vínculos com o público, por meios como plataformas digitais, redes sociais e promoções.

Ideias (Interno)

  1. Interfaces: o uso de interfaces e softwares para processar e comparar dados gera maior eficácia e reduz a possibilidade de erro ao realizar decisões.
  2. Dashboards: consiste em reunir vários dados, gráficos e tabelas para um monitoramento simultâneo e prático de um grande volume de informações. Funciona como um painel de controle.
  3. Experimentação: os empreendedores disruptivos experimentam constantemente novas ideias e processos, permitindo-se correr riscos.
  4. Autonomia: essas organizações apresentam gestão descentralizada e equipes multidisciplinares e autônomas.
  5. Sociais: negócios exponenciais usam tecnologias sociais para manter interações horizontais. Ou seja, mesmo distantes fisicamente, as equipes conseguem colaborar entre si.

Quer saber mais sobre o que são e como funcionam as Organizações Exponenciais? Confira o infográfico que o Ideia no Ar preparou:

 

 

 

Como é o processo de Inovação Disruptiva?

Chris Bradley e Clayton O’Toole propõem quatro estágios da disrupção para empresas com modelo de negócio tradicional estabelecido. Os autores apresentam um gráfico comparativo entre a curva de crescimento de um modelo disruptivo (roxo) e tradicional (azul):

Para os estudiosos, os estágios do processo de disrupção são:

  1. Detecção: há indícios de que uma inovação é necessária no mercado. É preciso então uma boa visão de futuro na gestão dos negócios. No entanto, a vantagem é que a maioria das empresas consolidadas não reagem às transformações criadas pelas exponenciais. Isso porque elas possuem receio de inovar e tem processos lentos.
  2. Clareza: o modelo de negócio é validado. Aqui o empresário deve garantir que as suas iniciativas disruptivas sejam mantidas e tenham autonomia em relação à sua atuação tradicional. Isso pode ser um desafio pois, no início, a inovação não atinge altos resultados. Quando a Netflix iniciou sua disrupção em 2011, ao mudar o foco de DVDs para streaming, o valor de suas ações caiu cerca de 80%. Isto é, os resultados são de longo prazo.
  3. Transformação inevitável: o novo modelo de negócio se mostra mais promissor que o anterior e o mercado se volta para as mudanças que surgiram. O grande desafio desse estágio é entender como distribuir recursos entre os investimentos tradicionais e os inovadores.
  4. Normalização: a indústria sofreu uma disrupção radical. O negócio enfim escala e tem o seu crescimento estabilizado.

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Exemplos de Inovação Disruptiva

Existem vários casos de empreendedores que criaram inovações disruptivas e passaram pelo processo descrito por Bradley e O’Toole. Confira alguns exemplos:

  • Apple

Um exemplo clássico de disrupção é o computador pessoal. Antes do surgimento dos chamados PCs, os mainframes prevaleciam no mercado. Esses produtos tinham preços muito elevados e era preciso ter conhecimento em engenharia para usá-los. A Apple começou então a vender os seus primeiros computadores pessoais. Tais modelos não tinham o bom desempenho dos mainframes, mas ganhavam no baixo custo e facilidade de uso. Pouco a pouco a ideia do negócio foi sendo aprimorada e criou um mercado que não existia anteriormente.

  • NuBank

A empresa oferece um cartão de crédito controlado totalmente por um aplicativo. Até mesmo para se tornar cliente não é necessário sair de casa: basta enviar fotos da documentação e assinar na tela do smartphone. Caso você perca o cartão, também pode bloqueá-lo pelo aplicativo. Além disso, não há tarifas como a anuidade, muito comum nos bancos tradicionais. A NuBank é, sem dúvida, uma organização exponencial, que detectou uma oportunidade gerada pelo atendimento complicado oferecido por muitos bancos comuns.

  • Airbnb

O Airbnb é uma plataforma para o aluguel de acomodações. O aplicativo permite a conexão entre quem precisa de um local para se hospedar e os “hosts”, pessoas que tem um espaço disponível para alugar. É um negócio inovador, muito mais prático e barato do que diversos hotéis. A empresa já está presente em 191 países e foi avaliada em cerca de 31 bilhões de dólares. (fonte)

Como e por que tornar a minha empresa disruptiva?

Usar a tecnologia e inovações disruptivas aumenta a competitividade, diminui custos e abre oportunidades de negócio. Para Marc Andreessen, investidor do Vale do Silício, a disrupção cria opções para públicos que antes estavam carentes. Portanto, significa ampliar o poder de escolha do consumidor, facilitar o seu acesso a bens, e vender para um número maior de pessoas. Apesar disso, esse investimento também traz riscos. Por isso, é preciso mudar o seu mindset e ter algumas atitudes para ser bem sucedido.

Uma dica importante é pensar nas reclamações que os consumidores fazem. Muitas vezes os empresários focam suas estratégias nos desejos e necessidades dos clientes, e usam isso como base para incrementar produtos já existentes. Porém, pensar mais sobre os problemas pode proporcionar soluções mais simples, baratas e eficazes. Tente procurar produtos e serviços que poderiam ser facilitados, seja nas suas funcionalidades, nos preços ou na gestão do negócio.

Também é necessário aderir a modelos mais abertos e descentralizados. Os negócios exponenciais tomam decisões ágeis, flexíveis e adaptáveis às necessidades do mercado. Assim, há espaço para o diálogo e criatividade. Em contrapartida, empresas tradicionais têm processos rígidos e lentos que ocasionam a perda de competitividade. Algumas ações para melhorar isso podem ser reuniões frequentes e participativas ou brainstormings.

Ainda, a inovação não deve ser restrita aos produtos. As empresas disruptivas pensam na inovação de modo amplo, abrangendo os processos e a comunicação. Ainda, elas estão em um processo de transformação contínua. Trata-se de uma mudança no modelo de negócio. Ser disruptivo é romper paradigmas em vez de mantê-los. É criar valor ao invés de agregá-lo. Mais do que produtos, deve-se criar nichos de mercado para suprir necessidades de públicos insatisfeitos. Pode ser, por exemplo, um setor com pouca transparência e eficácia, como o bancário, que está sendo tomado pelo Nubank.

Desenvolver alternativas de baixo custo também é um caminho para a disrupção. Por exemplo, a HP poderia ter criado PCs populares antes que a Lenovo aproveitasse a oportunidade. A tecnologia é uma grande aliada nesse processo de redução de custos. Plataformas como Airbnb ou OLX, os chamados Marketplaces, são altamente escaláveis e tem custos de investimento baixos. Além disso, a premissa é simples: conectar pessoas com interesses mútuos.

Saiba mais no artigo: O que é um Marketplace?

Conclusão

A inovação disruptiva está revolucionando o mercado com o uso da tecnologia e de soluções simples, eficazes e baratas. Existem vários exemplos de sucesso que já desbancaram muitas empresas tradicionais e líderes de mercado. Se você não quer ficar para trás, é fundamental não ignorar as transformações e adaptar-se ao novo modelo de negócio para tornar a sua empresa exponencial.

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Carol Kuviatkoski

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