5 principais medos de quem contrata terceirizados e como resolvê-los

Por: Carol Kuviatkoski . Publicado em:28/11/2018

Empreendedorismo

A terceirização de serviços é cada vez mais comum no Brasil. Para o empreendedor, muitas são as vantagens e oportunidades de negócio, tanto do ponto de vista da contratação quanto da prestação de serviços. Por isso, o Ideia no Ar preparou esta série de artigos para você tirar todas as suas dúvidas sobre tema. No primeiro texto, você identificou como fazer uma gestão de terceirizados eficaz. Já neste artigo, vamos esclarecer os limites da nova lei trabalhista e apontar maneiras de utilizar bem as oportunidades da terceirização.

Principais medos

Diante das mudanças na legislação, alguns empreendedores ficam receosos em contratar funcionários terceirizados. Esse receio é normal, dado que as alterações ainda são recentes e não são compreendidas com clareza por vários donos de pequenas e médias empresas.

1. Gerar vínculo trabalhista

Uma das principais dúvidas que os empreendedores enfrentam na contratação de terceirizados diz respeito à legislação e à geração de vínculo trabalhista. Para evitar o vínculo, o dono do negócio precisa ter muito claro o propósito do seu negócio. Ou seja, delimite de forma específica qual é a sua área de atuação. Em uma empresa de tecnologia, por exemplo, podem haver duas possibilidades: ser uma programadora de aplicativos e sites ou ser uma consultoria que pensa como essas plataformas serão desenvolvidas. Isso pode levar o empresário a terceirizar a parte de programação e ter funcionários CLT apenas na área de consultoria.

Em suma, o vínculo trabalhista só será gerado caso o profissional seja diretamente subordinado ao empreendedor. Para evitar isso, é necessário manter um contrato de CNPJ para CNPJ. Estabeleça contato frequente com o coordenador da terceirizadora, e não com o funcionário. Portanto, caso o profissional falte no serviço ou não seja eficaz, cobre o gestor da empresa prestadora de serviços. Tendo isso claro, o vínculo trabalhista entre o empreendedor e o terceiro é evitado.

2. eSocial

Para realizar a contratação de terceirizados também é comum que o empreendedor tenha dúvidas sobre o eSocial. A partir de 1º de julho de 2018 o sistema se tornou obrigatório para todas as empresas.Trata-se de uma plataforma do governo para a unificação do envio das informações previdenciárias, trabalhistas e fiscais dos empregados. Os dados de terceirizados também precisam  ser detalhados no sistema. O procedimento de transição pode ser um pouco trabalhoso no primeiro momento. Mas, é uma mudança positiva a longo prazo e não realizá-la implica em multa. Trata-se de uma simplificação que elimina a duplicidade e inconsistência de informações prestadas aos órgãos públicos.

3. Controlar atividades realizadas

Vamos supor que você terceirizou o marketing do seu negócio com uma agência. Como você vai saber se o funcionário está trabalhando? O ponto chave aqui é: você não precisa saber. Isso não é problema, desde que as demandas e metas estejam bem definidas no contrato com a terceirizadora. Nesse sentido, para controlar as atividades, é necessário que a prestadora de serviço faça o controle do ponto e tenha uma boa gestão e desenvolvimento de pessoas. Com tudo isso sendo bem delimitado no contrato, a única preocupação do empreendedor deve ser cobrar qualidade do serviço prestado.

4. Desalinhamento de culturas

Outro medo na contratação de terceirizados refere-se à cultura das empresas. É importante que a cultura da empresa terceirizadora seja forte e clara para os colaboradores. Além disso, o empreendedor deve ter em mente que não é qualquer atividade de um negócio que deve ser terceirizada. Áreas que exigem uma compreensão muito profunda da cultura interna não são boas possibilidades.

Por exemplo, a área de vendas de uma empresa, que envolva um conhecimento amplo da dinâmica e dos processos internos, pode não ser interessante para terceirizar. A produção de textos muito específicos para um blog corporativo é mais uma atividade que provavelmente exija um profissional CLT. Contudo, setores como limpeza, segurança, contabilidade, programação, e até o aluguel de um espaço de coworking para o negócio podem ser feitos por terceirizadoras. O medo do desalinhamento de culturas é a falta de entendimento sobre qual é o seu corebusiness (atividade principal) e quais são as tarefas secundárias.

5. Não ter um bom custo x benefício

O medo de não ter uma relação satisfatória de custo benefício também é um medo ao terceirizar serviços. Avaliar essa relação depende muito da demanda do dono do negócio. Por exemplo, se você precisa de um profissional que escreva um um artigo por dia para o seu site, pode sair mais caro terceirizar do que contatar um CLT.

Apesar disso, na maior parte dos casos, é mais barato manter um funcionário terceirizado. Isso porque trata-se de uma empresa especializada que atende a diversos clientes. E, mais do que o aspecto financeiro, terceirizar impacta diretamente a qualidade da realização da atividade. Para ficar claro: quem entende mais sobre segurança: o gestor do shopping ou o dono de uma prestadora de serviços dessa área? Uma empresa especializada busca as melhores ferramentas, conhece as tendências da área e está atualizado no mercado.


Soluções

1. Clareza de responsabilidades e sem subordinação

Para não ter que se preocupar com vínculo trabalhista, deixe claro qual é o papel do funcionário e para quem ele responde. Isso também vale para as próprias empresas terceirizadoras. Dessa forma, é possível operar uma prestadora de serviços só com freelancers. Basta estar atento à questão da subordinação.

Se o funcionário é freelancer, o empreendedor não exige que ele bata ponto, como acontece com um CLT. Nesse caso, o profissional trabalha por encontro, tem flexibilidade de horários e atende a outras empresas além da sua. Porém, independente de ser terceirizado ou CLT, todas as relações trabalhistas precisam ser estabelecidas por contrato. Não importa a sua posição na cadeia de valor, tudo deve estar vinculado legalmente. Por isso, busque uma assessoria jurídica para ficar a par das normas de trabalho e das recomendações dos sindicatos de cada profissão. Isso é fundamental para não cometer nenhum erro e sofrer consequências por mero desconhecimento das leis.

2. Ferramenta de gestão para controle de atividades

Para controlar as atividades e gerenciar empregados CLT, são monitoradas as horas de trabalho e estabelecidos Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs). Mas, no caso de um prestador de serviço terceirizado, é fundamental ter estratégias e ferramentas de gestão adequadas. Na plataforma do Ideia no Ar, o dono do marketplace consegue saber quantos leads e demanda está gerando, se o prestador de serviço respondeu o cliente, etc. Em suma, não importa se você contratou um CLT, um freelancer, ou outra empresa, tenha ferramentas de gestão e produtividade, tanto online quanto offline.

3. Alinhar missão, visão, valores

Ter a missão, visão e valores de ambas as empresas bem definidas é mais um ponto extremamente importante ao contratar terceirizados. Ou seja, o seu propósito e a sua identidade precisam estar claros tanto para o seu público interno (funcionários), quanto para a comunidade externa (clientes, parceiros, etc.).

Tudo isso pode parecer abstrato, mas gera resultados bastante eficazes a longo prazo. Se o seu negócio possuir uma cultura forte, você retém melhor seus CLTs, atrai mais clientes e faz com que outras empresas terceirizadoras queiram trabalhar com você. Manter uma boa imagem nesse aspecto é essencial. Pelo contrário, se as práticas da sua empresa não forem corretas, isso pode manchar a reputação da sua marca.

4. Seja estratégico e foque no seu core business

É fundamental ser estratégico e focar seus esforços na atividade fim do seu negócio. Para ter sucesso o empreendedor não pode perder tempo com atividades secundárias do cotidiano. É justamente para suprir essa necessidade que existem as empresas especializadas na prestação de algum serviço.

Quando as atividades são mais especializadas pela terceirização, cada um faz aquilo em que é melhor. Isso possibilita que tanto o contratante quanto o terceirizado tenham um escopo mais definido, uma imagem mais sólida e um marketing e processo de vendas mais claro. Em suma, você não precisa atender toda a cadeia de produção. Foque na atividade primordial do seu negócio e a sua eficácia será muito maior.

Conclusão

O mundo mudou, as relações de trabalho mudaram e a lei da terceirização consolidou práticas que já vinha acontecendo. O mercado está se tornando cada vez mais especializado, o que reduz custos e aumenta a eficiência de qualquer negócio. Esse processo pode gerar alguns medos nos empreendedores. Porém, utilizando as estratégias certas, terceirizar gera ótimos resultados. Por isso, é importante focar na sua atividade primordial, usar ferramentas de gestão e ter clareza das responsabilidades de cada parte interessada.


Carol Kuviatkoski

Publicado por:

Carol Kuviatkoski

Veja também

Acompanhe nossos materiais e conteúdos, para aprender tudo sobre como criar seu próprio marketplace de nicho, seja para escalar sua empresa ou monetizar sua base de vendedores e clientes.