Gestão de Terceirizados: Principais problemas e como resolvê-los

Por: Carol Kuviatkoski . Publicado em:23/11/2018

Empreendedorismo

A terceirização de serviços já era uma prática bastante comum no Brasil em diversos segmentos de mercado. Com a nova lei, esse tipo de contratação passou a ser uma oportunidade ainda mais vantajosa. Pensando nisso, preparamos uma série de artigos para você para você, dono de pequena ou média empresa, que se interessa em contratar ou já possui terceirizados na sua equipe.

Este é o primeiro texto sobre o tema, em que vamos te explicar como fazer a gestão de terceiros, quais são os principais problemas desse processo e como solucioná-los. Esta gestão é uma grande dúvida dos empreendedores. Afinal, apesar de serem funcionários como quaisquer outros, a relação com os terceirizados apresenta certas particularidades que devem ser levadas em conta.

Principais problemas

A contratação de empresas terceirizadoras é bastante benéfica em diversos aspectos, para organizações de qualquer porte. Mas, ao decidir por esse tipo de contratação, é indispensável aplicar uma boa gestão de terceiros para que os serviços sejam realizados de modo eficiente. Afinal, a falta de um acompanhamento constante no gerenciamento dessa mão de obra pode comprometer também a imagem da empresa contratante.

1 Quem é o líder do profissional?

Uma grande dificuldade operacional que é comum na relação com profissionais terceirizados é a falta de clareza sobre a liderança nas atividades cotidianas. Muitas vezes os funcionários ficam confusos se são subordinados ao diretor da empresa contratante ou ao dono da empresa terceirizadora. Por exemplo, se uma empresa terceirizadora oferece serviços de segurança para um shopping. Nesse caso, o segurança deve responder ao gerente do shopping ou ao chefe da prestadora de serviços?

Para que isso seja definido é preciso muito diálogo. Mas, principalmente, é imprescindível ter tudo previamente definido e registrado em contrato. E nessa relação existem algumas regras a serem seguidas. Assim, se você empreendedor quiser ser o líder do profissional, você precisa  contratá-lo como CLT e não como terceirizado. Isso acontece porque se você gera um nível hierárquico de subordinação com a pessoa, você automaticamente cria um vínculo empregatício com ela.

Dessa forma, quem precisa liderar e organizar a mão de obra terceirizada é a equipe da própria empresa terceirizadora. No entanto, isso não impede que sejam feitos certos alinhamentos entre a sua empresa contratante e a prestadora de serviços. Para isso, podem ser realizadas reuniões de acompanhamento periódicas, estabelecimento de diretrizes  e uma conversa franca com os líderes. Porém, é importante deixar claro que todo esses processos devem ser feitos com a presença da empresa responsável pelos terceirizados e não diretamente com esses profissionais. Caso contrário, podem haver desentendimentos e confusão quanto à subordinação dos trabalhadores, o que pode gerar desvios de funções e ineficiência nas atividades.

2 Quem é responsável pela gestão?

Você empreendedor pode estar se perguntando: não será ruim eu não liderar os meus funcionários terceirizados? Como saberei se eles estão realizando suas funções da forma correta? Quando essas pessoas estão in loco, nada impede que você confira se elas estão fazendo suas atividades ou tire algumas dúvidas. Além disso, o colaborador também deve estar ciente das normas de conduta internas da empresa contratante. É necessário saber a missão, visão, valores e dinâmica de trabalho do local. Nesse sentido, orientações e treinamentos podem ser eficazes.

Também existem várias organizações nas quais o líder de gestão não está em contato direto com o trabalhador. Na Apple, há diretores que acompanham e controlam o dia a dia operacional, mas estão em outro país. Aqui no Ideia no Ar, por exemplo, são contratados programadores terceirizados para desenvolver sites e aplicativos. Essas pessoas estão trabalhando em outros locais, de forma que o Ideia no Ar não os supervisiona diretamente. Isso é responsabilidade da empresa terceirizadora. Desde que essas atribuições entre a empresa contratante e a prestadora de serviços estejam claras no contrato, não há problema.

3 Falta de desenvolvimento dos funcionários

Tendo esclarecido quem é o responsável por liderar os profissionais, precisamos falar da importância da gestão do capital humano nas prestadoras de serviços. É inegável a necessidade de cuidar das pessoas que fazem parte de uma equipe. Pense em experiências pessoais suas. Se você já foi funcionário de alguém, sabe o valor que tem ser bem tratado e valorizado no ambiente de trabalho. Ou seja, tenha em mente que o capital humano é o mais importante na condução de um negócio. Até porque, apesar de os produtos, serviços, processos e clientes da empresa serem bastante importantes, no fim das contas quem coordena tudo isso é o público interno (funcionários).

Tal processo de gestão de pessoas envolve diversos assuntos, como turnos, férias, desenvolvimento, implementação de metas e bem-estar da equipe. Dessa forma, é recomendável investir em estratégias de Endomarketing, Relações Públicas e Recursos Humanos. Tratam-se de temas relevantes, que devem ficar a cargo da empresa terceirizadora. Pode parecer estranho que o próprio empreendedor não faça essa gestão, mas deixar essa tarefa para a prestadora de serviços faz muito mais sentido. Isso porque os supervisores e gerentes dela têm muito mais experiência na área que atuam do que os contratantes. Por exemplo, quem é mais capacitado para coordenar uma equipe de limpeza: alguém que tem uma empresa que presta serviços neste ramo ou um empresário que é dono de uma loja de roupas, auto peças ou qualquer outra área?


Soluções

Na gestão de terceirizados, o primeiro passo começa com a própria escolha das empresas. Fique sempre atento aos processos de contratação e ao histórico das organizações escolhidas. Pesquise e busque referências. Certifique-se de que a escolhida demonstre preocupação com leis de segurança do trabalho e com a jornada do trabalhador. Para isso, consulte o histórico de ações trabalhistas e observe a recorrência de casos.

1 Definição e atribuição claras de função

Você conhece o ditado: “O combinado não sai caro”? Pode parecer clichê, mas essa deve ser uma máxima na condução do seu negócio. Contratar alguém é firmar um acordo, no qual devem ser estabelecidos metas, prazos e atividades. Pode parecer atraente terceirizar alguém ser uma definição precisa das funções ou que faça “um pouco de tudo”. Mas, se esse for o caso, deixe claro desde o início e defina bem uma certa área de atuação.

Realizar uma atribuição de tarefas eficaz é especialmente importante na prestação de serviços. Nesse ramo, muitas vezes não há nada físico, como um produto, mas sim a entrega de algum valor à empresa. Desse modo, estipular com clareza as funções do contratado evita ruídos na comunicação e problemas futuros.

2 Definição clara de liderança

Frequentemente o terceirizado não sabe claramente quem é o seu chefe ou para quem ele deve responder na execução das atividades. Com as novas formas de trabalho isso pode ser bastante confuso. Pense em um marketplace como o Uber, por exemplo. O motorista trabalha para a empresa Uber ou para o passageiro? São diferenças sutis, mas necessárias, que precisam ser estabelecidas com muita clareza. Não hesite em fazer um contrato contendo as atribuições detalhadas, tanto da empresa contratante quanto da terceirizadora.

Obviamente, nessa relação devem ser feitas reuniões de acompanhamento. Isso significa que a prestadora de serviços também precisa acatar algumas orientações do empreendedor ao gerenciar os funcionários. Porém, não deve haver a intenção de que você lidere diretamente os terceirizados. Afinal, fazendo isso, você estaria tirando da outra empresa o controle sobre os próprios trabalhadores e tornando-a um mero negócio de intermediação. É justamente nesse ponto que entra a nova lei: as responsabilidades e encargos trabalhistas não são eliminados, mas sim transferidos da empresa contratante para a terceirizadora.

3 Planos de desenvolvimento objetivos

As empresas prestadoras de serviço precisam ter um PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) e também em um plano de objetivos coletivos. Os empregados devem se sentir parte da empresa, e saber porque estão ali e para onde vão. Os trabalhadores devem “vestir a camisa” da marca da terceirizadora. Isso é essencial para diminuir a rotatividade e economizar tempo e custo de treinamento com novos funcionários. Por exemplo, por que o uber demite motoristas com avaliação baixa? É uma forma de fazer a gestão do pessoal e manter a qualidade. Da mesma forma, em um shopping, se um segurança fizer um serviço ruim, isso afetará a imagem da empresa que o terceirizou.

Isso porque qualquer profissional precisa estar sempre se desenvolvendo. O dono do negócio que presta serviços precisa ter em mente que se os empregados não forem valorizados, eles podem pedir demissão. E isso é válido até mesmo para o serviço mais básico ou braçal. Afinal de contas, o seu concorrente quer saber o que acontece dentro da sua empresa e por isso seria uma vantagem contratar um ex-funcionário seu.

Resumindo, se você não cuida do seu profissional, você pode estar dando a ele a chance de procurar um local em que ele seja reconhecido. Pelo contrário, se a prestadora de serviços fizer um bom trabalho de gestão de capital humano, os benefícios são vários. A equipe pode ajudar o negócio a ter uma boa reputação, mais qualidade e sucesso. Não esqueça: os colaboradores da terceirizadora são um “outdoor” da organização. O que eles fizerem (seja positivo ou negativo) estará sempre atrelado à sua marca.

Conclusão

A terceirização de serviços é uma prática vantajosa. Mas, para ter sucesso é necessário aplicar uma gestão de terceiros eficaz. Os funcionários devem saber com clareza quais são as suas funções, quem são seus líderes e estarem sempre em desenvolvimento. Por isso, o empreendedor deve escolher bem a empresa terceirizadora. E esta, por sua vez, precisa fazer uma gestão que valorize verdadeiramente o capital humano, estabelecendo PDIs e objetivos coletivos. Trata-se de um alinhamento prévio, mas também constante, entre as expectativas da empresa contratante e da prestadora de serviços.

Você se interessa pelo tema mas ainda tem medo de contratar terceirizados? Possui dúvidas quanto à legislação, ao controle das atividades e ao custo benefício? Confira o artigo que preparamos sobre os 5 principais medos quem contrata terceirizados e como resolvê-los.


Carol Kuviatkoski

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